Antes de mais nada, por que um blog?
Pras pessoas que me conhecem há 5-10 anos, eu pirei nos últimos 6 meses. Cortei o álcool, reduzi o cigarro, perdi o tesão da mesa de bar e passei a dedicar a minha vida a atividades físicas. Uma mudança bastante radical que deve representar sei lá, que eu passei a me odiar terrivelmente e consequentemente resolvi me torturar todos os dias caminhando, pedalando, comendo salada e (segredo, hein) aproveitando os (poucos) cigarros mais do que nunca.
Eu sempre fui tarada em exercícios... Quando no colégio, eu jogava futsal, vôlei, handebol, basquete, ou praticamente qualquer coisa que envolvesse bola e quadra mas não fosse queimado. Não que eu fosse boa em qualquer uma dessas coisas, mas meu deus, como era divertido. Estar num espaço aberto, correndo, suando, jogando qualquer coisa era a melhor sensação do mundo. Era uma liberdade que uma criança criada em apartamento por pais um pouquinho repressores (um pouquinho de nada, imagina) não sentia facilmente. A quadra do CAp era a minha meca, era o que fazia acordar cedo e ir praquele colégio nojentamente horroroso algo bom.
E aí veio a maldita dor no joelho.
Algo que sempre foi claro pras mesmas pessoas lá de cima foi a minha dificuldade de andar. Mais do que a dificuldade de andar, a dor diária nos dois joelhos. sério, não dá pra ser feliz quando se convive com dor diária em duas paradas que deveriam sustentar o teu corpo e te fazer andar. não é fácil esquecer daquela pontada constante que te impede de pular, correr, dançar ou fazer qualquer movimento que não seja simulando o andar de um pinguim.
Foram 13 anos convivendo com esse problema; por metade da minha existência, eu não era nada que não um potinho cheio de dor. de dor física, graças à condropatia patelar, mas de uma dor interna sem tamanho também. Imagina só, você que sempre se amarrou em exercícios, estar limitada, ter medo de qualquer contato, e temer o dia em que finalmente a dor iria ganhar e eu ia ter que partir pra uma cadeira de rodas.
Enfim, divago.
Um belo dia, eu acordei sem dor. Não foi a primeira vez, não sei que dia foi, não sei o que aconteceu. Eu já tinha ficado sem dor antes, mas nunca durava o suficiente pra que eu conseguisse começar uma rotina de exercícios e fortalecimento das pernas. E aí, quando a dor voltava, era como se a minha vida perdesse o sentido de novo. Mas enfim, eu acordei sem dor e resolvi dar uma caminhada. Cê já parou pra perceber como é maravilhoso caminhar e não sentir o seu joelho gritando de dor a cada segundo? Claro que não, aposto que tu não dá a importância e amor que os seus joelhos merecem. Pare agora e faça um carinho nos seus joelhos, vai. Eles te sustentam, e merecem muito mais do que você imagina.
Enfim, daí eu tava sem dor. e caminhei, e foi lindo. e fiz o mesmo no dia seguinte, e no próximo, e num próximo, e assim sucessivamente. E era muito assustador não ter dor, porque eu tinha aquele medo constante de que ela ia voltar no dia seguinte, e essa minha rotina feliz de caminhada ia acabar.
Pois bem, ela não voltou. e eu fui aprendendo a lidar melhor com esse medo (mentira).
no início, eram 2-3km/dia. Depois isso virou mato, e eu passei a tentar 5-6 - mato também - até que eu cheguei aos 10km/dia. Mas porra, andar 10km/dia demora, e graças a uma amiga minha, resolvi reaprender a andar de bike.
Agora tu imagina, um ser humano que andava que nem um pinguim, que do nada passa a caminhar, e resolve subir numa bicicleta um belo dia e fazer Copacabana - MAM (aprox 10km). Preciso nem dizer que tomei um tombo lindo no meio do caminho, né? Mas cara, como foi boa a sensação.
Daí fodeu. Era tudo muito bom pra caralho, e eu não podia parar agora.
Graças a essa falta de dor, eu pude começar a fortalecer as pernas. E, sem perceber, comecei a emagrecer bem. Essa história de que ninguém emagrece por acidente (li isso hoje) é pura mentira. Eu nunca quis emagrecer, mas quando vi, tava 'desmarubarangando' (longa história).
Aí pensa só: seu joelho ficando saudável, você ficando tchuchuca, a cabeça mais vazia e leve do que nunca, só amor. Tu vai parar agora? pois é, nem eu.
Pedalar me trouxe uma paz de espírito sem igual. acho que em partes é por me deixar mais longe das pessoas, ou por me ajudar a pensar nos problemas (que são mato quando comparados à imensidão da paisagem da ciclovia). Mas sei que depois da redescoberta da bike, sou uma pessoa menos estourada, menos de arranjar briga, menos de discutir, menos pau no cu. Não que tenha mudado muito pra melhor, mas é que pra pior não dava também, né. Enfim.
A moral desse texto é: não, eu não pirei. mas cara, essa alegria dentro de mim tem que ser compartilhada de alguma forma, porque puta merda, é bom demais não sentir dor.
Então é por isso que se faz um blog em homenagem aos joelhos. Espero que goste. =)